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O desafio no combate ao câncer de próstata

Com a proposta de esclarecer questões relativas à saúde do homem, o Instituto Lado a Lado pela Vida promoveu um debate online com médicos especialistas das áreas de urologia e oncologia com a finalidade de fomentar a prevenção e o tratamento do câncer de próstata

Publicado em 18.11.20 - Por Felix Ventura



Com mediação da fundadora e presidente do Instituto Lado a Lado pela Vida, Marlene Oliveira, o Webinar LAL – Informação é Saúde convidou renomados especialistas para um debate com o propósito de desmistificar o câncer de próstata, suas causas, diagnósticos e tratamentos disponíveis nos sistemas público e privado de saúde. A data da realização do evento coincidiu com a celebração do Dia Mundial do Combate ao Câncer de Próstata (17 de novembro) dentro da agenda do Novembro Azul. Para compor a discussão, o urologista, membro titular da Sociedade Brasileira de Urologia e ex-chefe do Departamento de Uro-oncologia da SBU-RJ, Henrique Rodrigues e o oncologista do grupo Oncoclínicas, diretor educacional do LACOG-GU e especialista em tumores geniturinários, Diogo Rosa, responderam também aos temas relacionados à acessibilidade e as possíveis soluções para a redução de mortes pela doença.


Como introdução ao debate, Marlene trouxe informações sobre o início da trajetória do instituto que, desde 2008, atua em prol da saúde do homem e que em 12 anos de trabalho, obteve muitas conquistas em um cenário onde pouco se falava sobre o assunto. “Ficamos muito felizes ao ver que o Ministério da Saúde abre a campanha Novembro Azul de 2020 firmando parcerias técnicas e liberando verbas para investir na saúde do homem. Nós, como organização da sociedade civil, vamos acompanhar e ter a certeza que os homens deste país sejam efetivamente beneficiados”, expôs. Após elencar várias ações promovidas pela instituição, a presidente colocou aos debatedores o questionamento inicial: qual a situação atual do câncer de próstata no Brasil?


Ao tomar a palavra, Rodrigues revelou que, no Brasil, a média anual de novos casos varia entre 65 a 70 mil com 15 mil mortes. “Estamos melhores do que há alguns anos atrás, mas ainda perdemos em relação aos países desenvolvidos em relação ao estágio de diagnóstico da doença. Ainda diagnosticamos de forma tardia”, comentou. O médico urologista ressaltou não só o enorme abismo no tratamento do câncer de próstata entre as redes pública e privada, mas também quando se compara as diferentes regiões do país. “Nas grandes metrópoles como as cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte e Salvador, mesmo com o serviço público enfrentando algumas dificuldades, se consegue oferecer um melhor atendimento. Nos rincões do país, onde o acesso ao médico é mais difícil, todo esse esforço praticamente inexiste no sentindo de diagnosticar o câncer de próstata”, explicou.


As primeiras observações de Rosa, médico oncologista, foram sobre a questão cultural das mulheres em procurar os serviços médicos com maior frequência se comparadas aos homens. “Normalmente quando a menina entra na puberdade e menstrua, ela já vai ao ginecologista levada pela mãe e assim é criada a cultura de visitas com mais regularidade ao médico. Existe um desafio que é de quase catequizar o homem sobre a necessidade que ele tem de procurar por atendimento”, esclareceu, dizendo ter notado atualmente uma certa mudança do comportamento masculino em relação à busca de diagnóstico de câncer de próstata, mas também para outras enfermidades. De acordo com Rosa, a realidade imposta pela pandemia de Covid-19 trouxe aos homens maior preocupação com seu estado de saúde geral, fazendo-os atentar para as comorbidades associadas ao coronavírus como a diabetes e a obesidade. “Espero que essa preocupação seja um ganho permanente onde os homens aprenderão a cuidar da saúde de forma mais sistemática”, pontua.


O Webinar recebeu muitas perguntas relacionadas à hereditariedade do câncer de próstata e, em resposta aos questionamentos, Rodrigues recomendou aos pacientes que tiverem mais recursos, se possível, façam um estudo genético que consiste numa espécie de exame de acompanhamento com custo mais elevados. Em continuidade, o médico urologista esclareceu que se um paciente tiver pelo menos dois parentes de primeiro grau que tenham sido diagnosticados com este tipo de câncer e com menos de 55 anos, o fator hereditário pode estar caracterizado. “Outro cuidado simples é de que o indivíduo faça um exame de antígenos específicos da próstata (PSA) [do inglês, Prostate-Specific Antigens] após aos 40 anos, pois se ele aos 45 anos tiver um nível de PSA acima de 1.4, a chance de desenvolver a doença no futuro é alta”, advertiu.


Sobre os principais tratamentos disponíveis para o câncer de próstata, Rosa conta que nos últimos dez anos todos os cenários deste tratamento prosperaram bastante. Do ponto de vista técnico e tecnológico, atualmente já é uma realidade no sistema de saúde suplementar e de atenção primária a realização de cirurgias robóticas, aponta o médico oncologista, que trouxe uma redução de risco para quem necessita retirar a próstata. “Hoje, temos um melhor aparelhamento em radioterapia e melhores técnicas de tratamento que diminuem o tempo e o efeito colateral, lembrando que a radioterapia usa um tipo de radiação que mata a célula tumoral atravessando o corpo”, relatou, complementando que mesmo para diagnósticos tardios, ainda há uma série de novos tratamentos com terapias hormonais, novos quimioterápicos e radiofármacos. Segundo Rosa, a reputação do médico brasileiro é de muito respeito no panorama mundial no que tange ao tratamento do câncer de próstata, contando com uma rede de profissionais treinados no exterior e que formaram uma escola muito prestigiada no país.


Outra questão muito solicitada através do chat foi sobre a vacina contra o papilomavírus humano (HPV) para meninos. Para os esclarecimentos, Rodrigues afirma que a indicação da vacina aumentou muito nos últimos anos e que no início, era feita apenas para meninas que não tinham iniciado a atividade sexual, porém, dentro das recomendações atuais estão incluídas não só as meninas como também, os meninos. “Nos Estados Unidos, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, da sigla em inglês Centers for Disease Control) indica a vacina até os 26 anos, mesmo em pessoas que sejam sexualmente ativas e também, em pacientes homens que já tenham tido lesões causadas pelo vírus. Particularmente, aumentei muito a prescrição de vacinas nos últimos dois anos”, destacou. Para Rosa, o vírus está associado a alguns tipos de tumor de pênis, colo do útero, bem como os de cabeça e pescoço, onde a vacina atua na diminuição da incidência destes tipos de câncer em um prazo de 10 a 15 anos. “Como estratégia de prevenção de curto prazo, no caso dos homens é altamente recomendável fazer a correta higiene do pênis e procurar o urologista com regularidade”, observou.


Ao final do debate, quando perguntado sobre quais medidas tomaria se fosse Ministro da Saúde, Rosa disse que criaria uma campanha de longo prazo focada na coleta de informação e na educação, colocando a saúde como ponto central com a elaboração de projetos que passem por todos os níveis do governo. “Isso inclui os Ministérios da Educação e, talvez o da Economia e o da Infraestrutura. Precisamos entender quem é o paciente brasileiro, pois, ainda hoje, esses dados são todos descentralizados”. Já para Rodrigues, se ocupasse o ministério, também teria como prioridade a questão da informação, julgando necessário reunir os dados sobre os pacientes para definir os meios de tratamento. “O grande desafio está na integração da rede pública. Estamos em meio a uma pandemia e não conseguimos a divulgação de dados importantes”, salientou.

Não assistiu o webinar? Clique no vídeo abaixo e acompanhe.




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