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O auto-cuidado do homem

Um bate-papo dinâmico, descontraído, mas cheio de informação sobre a saúde do homem foi conduzido por Phelipe Siani, que recebeu profissionais de saúde para debater os fatores de riscos sobre a falta de cuidados com a saúde masculina

Publicado em 20.11.20



No mês da campanha Novembro Azul, criada pelo Instituto Lado a Lado pela Vida, a importância do debate sobre a saúde integral do homem foi ressaltada com a promoção do Webinar LAL – Informação e Saúde. O evento online aconteceu na exata data de comemoração do Dia Internacional do Homem (19 de novembro). Marlene Oliveira, fundadora e presidente do Instituto Lado a Lado pela Vida, fez um breve discurso introdutório para iniciar a discussão, chamando para mediar a conversa o jornalista-âncora da CNN Brasil, Phelipe Siani. Entre os convidados a psiquiatra, professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Carmita Abdo; o educador físico, jornalista e criador do movimento Viver Inspira Cura, Vinicius Zimbrão e; o médico cirurgião-geral e diretor-executivo da Prevent Senior, Pedro Benedito Batista. Em suas primeiras palavras, Siani recordou uma reportagem que fez a cerca de dois anos atrás, época em que ainda estava na Rede Globo, sobre a quantidade de homens que acham que o fato de realizar o exame de toque pode afetar a própria masculinidade. “Temos esta discussão em pauta ainda nos dias de hoje. Eu acho que a gente entende, mas não concorda e mesmo assim entende quando este tipo de discurso existia lá na década de 1980, de 1990, mas em 2020? Acho bizarro estarmos discutindo este tipo de assunto”, frisou. Em continuidade, Siani disse que os números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que o homem não se cuida adequadamente, sendo que no ano de 2019, 69% dos homens fizeram uma única consulta enquanto as mulheres fizeram 82%. “Ou seja, percebemos que os homens tem muito receio pela seguinte afirmação: eu sou muito macho, eu não preciso ir ao médico. Eu sei me cuidar e ir ao médico é coisa de gente frouxa. O que é um absurdo”, explicou.


Para o jornalista-âncora da CNN, outra espécie de pandemia precisa ser combatida, a masculinidade tóxica. Seus efeitos não permitem que o homem se fragilize no sentido em que ele também precisa de ajuda. “Todo mundo precisa de ajuda, todo mundo está sujeito a pegar uma doença e que bom quando a gente tem a possibilidade de encontrar essa ajuda”. Em seguida foi a vez de Carmita reiterar o pouco cuidado que o homem tem com a própria saúde, correndo muito mais riscos que as mulheres pelo seu caráter mais arrojado e que, em contrapartida, a sobrevida do homem é bem menor que a das mulheres. “Ao longo da história, isso tem uma razão: isso é falta de cuidado. Se homens tivessem o mesmo comportamento de prevenção que as mulheres poderiam viver tanto quanto elas. Parece inato das mulheres os ritos de prevenção, mas é difícil se conseguir isso nos homens”, observou.


A psiquiatra destacou ainda que esta dificuldade não está apenas relacionada à realização de exames de próstata que já trazem uma grande carga de tabus, mas para qualquer tipo de ida ao médico. “Parece que isso é um atestado de fragilidade o homem ir ao médico. Ele só vai quando está com muita dor e só pela intenção de acabar com ela, quando ele deveria ter ido muito antes e evitado que a dor aparecesse”, assinalou.


Para Zimbrão, que é educador físico, a saúde do homem vai muito além do Novembro Azul e atenta para os efeitos nocivos do machismo estrutural, onde até as próprias mulheres absorvem parte desta cultura. “Como exemplo: a mãe que leva a filha no ginecologista com 14 anos, mas ela não leva o filho no urologista em sua adolescência, mantendo este costume pelos anos seguintes. Então, estamos perdurando isso”, constatou. O educador físico abordou questões pessoais e disse que teve câncer de testículo aos 39 anos. “Usei como referência durante o processo de tratamento o exemplo de Lance Armstrong, um atleta do ciclismo que teve o mesmo tipo de câncer e que se curou sendo ainda foi sete vezes campeão. Isso me incentivou a fazer o tratamento”, revelou.


Como médico cirurgião-geral, Batista classificou a falta de cuidados do homem como fator gravíssimo explicando que muitas pessoas acham que se não tivessem ido ao médico, a doença não teria aparecido. “Os pacientes acham que fazer o tratamento é o problema, morrer porque não fez o tratamento não é o problema. Muitos dizem: mas se eu morrer rápido não tem problema, o problema é eu sofrer. Sinceramente, com o nível de informação que temos hoje, sofrimento é o que as pessoas que não se cuidam podem causar aos seus familiares”, arrematou. Em complemento à fala anterior, Batista traçou um paralelo com a questão do HIV vivida nos anos 1990 onde as pessoas não queriam fazer o exame para não se descobrirem doentes. “É curioso como o ser humano se boicota”, concluiu.


Como porta-voz das perguntas enviadas através do chat, a presidente do Instituto Lado a Lado pela Vida colocou uma questão relacionada à segunda onda de Covid-19 e o receio de manter os tratamentos em ambiente hospitalar se o câncer e as doenças crônicas não podem esperar. Para responder à pergunta, Marlene convocou o médico cirurgião-geral para orientar as pessoas e pacientes sobre como procederem nesse momento. De acordo com Batista, a tecnologia é, atualmente, um elemento fundamental para sabermos onde estamos com relação à curva de casos do coronavírus. “Precisamos também saber quem precisa ser tratado. Observamos um pico de casos entre junho e julho na cidade de São Paulo, apenas como recorte, com quedas em agosto e setembro”, disse. Os problemas decorrentes do período de queda, conta Batista, foi que os meses seguintes (agosto e setembro) aumentaram demasiadamente o fluxo populacional nas ruas, quase como que em níveis de normalidade. “No mês de outubro tínhamos plena circulação de pessoas fazendo com que no mês que estamos os casos voltassem a duplicar ou triplicar”, reporta.


Perto do fim do debate, Marlene leu mais uma pergunta recebida pelo chat que dizia respeito a como administrar o momento de fadiga causado pelas restrições impostas pela pandemia. Desta vez, a psiquiatra Carmita fez considerações acerca de que estar em confinamento, não necessariamente é estar em inércia ou em tédio. “Ficamos um pouco parados, a princípio, por achar que isso duraria 15 dias. Quem começou desde cedo a organizar uma rotina, não entrou em fadiga, porque se preparou para essa nova forma de viver”, pontou. A psiquiatra recomendou a aqueles que estejam de alguma forma fatigados pelas limitações da pandemia para que tenham um momento exclusivo consigo, um espaço onde possam ficar sozinhos por pelo menos algum tempo. “Quando você estiver insuportável, relaxe, tome um bom banho. Amenize o mau humor. O que não podemos é depositar no outro, a nossa própria dificuldade de enfrentar essa situação”, alertou.

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