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Como está a saúde do homem diante da pandemia?

Atualizado: Nov 12

Estudo inédito, realizado pelo Instituto Lado a Lado pela Vida, aponta que a saúde mental da população masculina foi mais afetada que a física

Artigo publicado em 11.11.20




A pandemia do novo coronavírus fez de 2020 um ano atípico. O mundo parou para prestar atenção em um vírus perigoso que não só causa diversos danos à saúde, mas também pode matar. De acordo com dados mais recentes do Ministério da Saúde, até o momento o Brasil passou da marca de 5,7 milhões de casos de COVID-19.

Diante dos números, cada vez mais impactantes, a saúde passou a ser o centro das discussões e preocupações. Nesse cenário, o Instituto Lado a Lado pela Vida (LAL) resolveu investigar como essa doença, e seus desdobramentos, afetaram a saúde da população masculina. O estudo “Você e a Covid-19 – A saúde do homem na pandemia” teve como objetivo medir os sentimentos, mapear a saúde física e emocional do homem brasileiro em todas as faixas etárias e, com isso, perceber como a rotina desse público mudou em face do maior desafio sanitário global já enfrentado.


A pesquisa aconteceu de 15 de julho a 21 de setembro e contou com a participação de 1.080 homens, de todas as regiões brasileiras com idades entre 14 e mais de 66 anos. “Além de ouvir como a mudança de comportamentos impactou, por exemplo, a diminuição de exames e consultas de rotina, procuramos entender também como a pandemia mexeu com o emocional dos homens brasileiros. Um dos efeitos de adiar consultas e exames é o de que vários diagnósticos precoces de algumas doenças, como o câncer de próstata, deixaram de ser feitos” explica Marlene Oliveira, fundadora e presidente do Instituto Lado a Lado pela Vida.


O estudo está sendo divulgado durante o mês de novembro e isso está acontecendo não por acaso. A campanha Novembro Azul, criado pelo Instituto Lado a Lado pela Vida, tem como principal missão alertar os homens sobre a importância do diagnóstico precoce do câncer de próstata.


Durante a pandemia, a população se isolou e isso contribuiu para que muitos homens deixassem de procurar ajuda médica e negligenciassem a sua saúde. Os efeitos desse período podem ser perigosos no futuro.


Como se não bastassem os riscos da saúde física, os impactos do afastamento social também geraram alguns efeitos na saúde emocional. “Este momento de pandemia é excepcional, inédito, e afetou a saúde emocional dos homens, muito mais do que a saúde física. Queríamos nos aprofundar nestes efeitos, em como a vida mudou para os homens e como eles se sentem. Francamente, estávamos apreensivos se os homens falariam sobre seus sentimentos. Mas eles foram sinceros e abertos. E o resultado foi muito rico”, diz Roberta Pimenta, coordenadora do estudo e especialista em pesquisas e inteligência de mercado.


Os resultados da pesquisa

O estudo apresenta dados inéditos, entre eles o impacto da pandemia na saúde mental dos homens: 96% dos participantes declararam que, durante a pandemia, sentiram ao menos um sentimento negativo como ansiedade, estresse ou desânimo.


Outro fator que chamou a atenção é que enquanto 87% dos entrevistados acreditam que sua saúde física vai bem esse índice cai para 78% quando questionado sobre a saúde mental


Em relação a saúde física, 60% dos homens declararam ter ao menos um fator de risco ao agravamento da COVID-19 sendo que 15% apresentam a combinação de 3 ou mais fatores de risco. Os hipertensos são os que mais apresentam comorbidades: 81% tem outra condição de risco em particular obesidade, diabetes e idade acima dos 60 anos.


O estudo também avaliou as medidas de prevenção contra o contagio pelo novo coronavírus. Dos homens ouvidos, 96% declaram usar máscara ao sair de casa; 89% evitam aglomerações; 88% lavam as mãos frequentemente e 70% usam álcool para higienizá-las.


Um dado alarmante está entre os jovens no que se refere ao isolamento social. 25% deles declararam não evitar aglomerações e um terço saem de casa mesmo que não seja estritamente necessário. A partir dos 46 anos de idade, é quase unânime a medida de evitar aglomerações, apesar de que, nesta faixa etária, os homens ainda saem de casa sem necessidade.


Durante a pandemia, uma grande preocupação foi sobre a continuidade dos tratamentos médicos e a visita ao consultório quando necessário. A telemedicina e o adiamento das consultas foi outro aspecto avaliado pela pesquisa, que constatou que 17% dos homens participantes do estudo foram atendidos à distância por médicos, psicólogo ou outro profissional de saúde. Porém, 44% declarou ter diminuído a frequência de visitas ao médico, 13% interrompeu um tratamento médico que fazia antes da pandemia e outros 10% adiou uma cirurgia ou procedimento médico. Além disso, os atendimentos remotos tendem a ser prestados por profissionais credenciados por plano de saúde. A telemedicina foi reportada por apenas 11% dos homens atendidos exclusivamente pelo SUS.


“A pandemia foi um grande acelerador das interações sociais e pode ter dado o impulso definitivo para que a telemedicina se estabeleça como alternativa no relacionamento médico-paciente. Entretanto, os índices de diminuição de frequência a consultórios médicos e/ou tratamentos é preocupante por elevar, no futuro, a gravidade de diagnósticos e tratamentos”, finaliza Marlene.

Em relação a suspensão dos tratamentos médicos na pandemia é necessário ressaltar que observou – se um agravamento em pacientes cardiovasculares e oncológicos. Um estudo feito pela Sociedade Brasileira de Cardiologia mostrou que houve um aumento de 31,8%no número de mortes, dentro de casa, por doenças cardiovasculares.

Os pacientes oncológicos, por sua vez, devem estar em constante contato com o seu médico e não parar o tratamento. É imprescindível que os exames e as consultas estejam em dia para que a saúde não seja ainda mais prejudicada.

Clique aqui para acessar a pesquisa.

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