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A jornada dos homens na luta contra o câncer

No mês do Novembro Azul, o Instituto Lado a Lado pela Vida presta importantes esclarecimentos sobre o cuidado integral da saúde do homem colocando a seu alcance informações essenciais para a prevenção do câncer, seu diagnóstico e tratamentos disponíveis.

Publicado em 11.12.20


Antes de tratarmos de um assunto que causa extrema apreensão entre as pessoas quando discutido, é necessário conhecer e conceituar uma doença que, se diagnosticada precocemente, tem grandes chances de cura através dos tratamentos atualmente disponíveis – estamos falando do câncer. Seu conceito está ligado a um conjunto de mais de 100 doenças que têm em comum o crescimento desordenado das células que invadem órgãos e tecidos. Frequentemente associado ao termo tumor, é importante saber que nem todos os tumores são cânceres.


A palavra tumor está relacionada ao aumento de volume observado numa parte qualquer do corpo. Quando o crescimento do tumor acontece pelo aumento do número de células, ele é chamado de neoplasia, que pode ser benigna ou maligna. Ao contrário do câncer, que é uma neoplasia maligna, as neoplasias benignas têm seu crescimento de forma organizada e geralmente lento, apresentando limites bem nítidos. Elas não invadem os tecidos vizinhos ou desenvolvem metástases, que são a formação de uma nova lesão tumoral a partir de outra.


Com base em informações divulgadas pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA), a estimativa de novos casos de câncer próstata no Brasil em 2020 é de 65.840 pessoas e de acordo com o Sistema de Informações sobre Mortalidade – SIM, o número de mortes registradas em 2018 pela doença foi de 15.576. A fim de atuar como agente transformador deste cenário, o Instituto Lado a Lado pela Vida lançou, em 2011, a campanha Novembro Azul com foco na prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer de próstata.


A entidade igualmente direciona suas ações para a conscientização do cuidado integral da saúde do homem, trazendo esclarecimentos importantes capazes de modificar velhos paradigmas que diminuem a expectativa de vida masculina em sete anos em relação às mulheres no país. “Hoje, a campanha do Novembro Azul faz parte do calendário nacional, consolidando-se como a maior ação do país em prol da saúde do homem, um movimento que cresceu de forma exponencial com adesão do Ministério da Saúde, de hospitais, diversas organizações da sociedade civil e a população em geral, empresas de diversos segmentos, artistas, formadores de opinião, atletas e da mídia”, explica a fundadora e presidente do Instituto LAL, Marlene Oliveira.


Câncer de Próstata

No Brasil, o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens atrás apenas do câncer de pele não-melanoma. O diagnóstico do câncer de próstata pode ser feito através da combinação de dois exames que são a dosagem de PSA (Antígeno Prostático Específico), que é uma glicoproteína produzida apenas pela próstata e seus níveis aumentam quando há algum problema nesse local, e o toque retal, um exame rápido e indolor, mas que enfrenta enorme resistência por parte dos homens. O exame permite que o médico palpe a próstata para perceber se existe a presença de nódulos (caroços) ou tecidos endurecidos que caracterizam o estágio inicial da doença. O toque é feito com o dedo protegido por uma luva lubrificada. No entanto, é necessário alertar que nenhum dos dois exames têm 100% de precisão e que pode haver a necessidade da realização de exames complementares. O único procedimento capaz de confirmar o câncer é a biópsia, com a retirada de amostras de tecido da glândula para análise feita através de ultrassonografia.


O Dr. Julio Geminiani, urologista e especialista em cirurgia robótica do Grupo Leforte, atenta para a necessidade das visitas regulares ao urologista como parte das medidas preventivas ligadas à saúde do homem, salientando que as detecções precoces viabilizam tratamentos mais efetivos evitando episódios de desconforto e dor. “Isso mostra a importância de campanhas como o Novembro Azul. O homem, de modo geral, é menos cuidadoso com a própria saúde e realiza menos ações preventivas contra doenças. Precisamos convencê-lo de que um check-up por ano pode evitar diversos problemas”, destaca.


O tratamento para a doença localizada, que só atingiu a próstata e não se espalhou para outros órgãos, pode ser feito através de cirurgia, radioterapia e até mesmo através da observação vigilante (em alguns casos especiais). Para os estágios mais avançados da doença local, são recomendados radioterapia ou cirurgia em combinação com tratamento hormonal. No quadro metastático, quando a doença já se espalhou para outras partes do corpo, pode ser mais eficaz a terapia hormonal.


De acordo com o uro-oncologista do Grupo Leforte, Bruno Benigno, a cirurgia robótica oferece riscos menores às possíveis sequelas como a incontinência urinária e impotência sexual decorrentes de uma prostatectomia, que é o procedimento de retirada da próstata como parte do tratamento do câncer. “A cirurgia robótica tem benefícios comprovados para inúmeras aplicações, mas é no tratamento do câncer de próstata que ela consegue diferenças ainda mais expressivas”, comenta.


Câncer de Pênis

Em 2020, o Instituto LAL se manteve atento às causas da saúde do homem, integrando e contextualizando essa nova realidade com a realização de webinários que trouxeram renomados especialistas para debater e esclarecer temas como, por exemplo, o câncer de pênis (doença responsável pela amputação de cerca de 1.600 homens/ano) que o LAL tem o objetivo de erradicar. “Como parte de um extenso calendário, não posso deixar de citar outras atividades dignas de atenção como a incrível ação lançada no primeiro dia do ano de 2020 e que está disponível no Instagram. Denominado @Lave o Dito Cujo, o perfil aborda de forma lúdica, mas não menos séria, a prevenção do câncer de pênis”, expõe Marlene.


O câncer de pênis é um tumor raro, com maior incidência em homens a partir dos 50 anos, embora possa atingir também os mais jovens. No Brasil, esse tipo de tumor representa 2% de todos os tipos de câncer que atingem o homem, sendo mais frequente nas regiões Norte e Nordeste. Quando diagnosticado em estágio inicial, o câncer de pênis apresenta elevada taxa de cura. No entanto, mais da metade dos pacientes demora até um ano após as primeiras lesões aparecem para procurar o médico.


O tratamento depende da extensão local do tumor e do comprometimento dos gânglios inguinais (ínguas na virilha). A cirurgia é o tratamento mais eficaz e frequentemente realizado para controle local da doença, mas também podem ser indicadas a radioterapia e a quimioterapia. Para prevenir o câncer de pênis, é necessário fazer a limpeza diária do órgão com água e sabão, principalmente após as relações sexuais e a masturbação. A cirurgia de fimose é outro fator de prevenção, bem como a utilização do preservativo é imprescindível em qualquer relação sexual, já que a prática com diferentes parceiros sem o uso de camisinha aumenta o risco de desenvolver a doença.


Câncer de Testículo

Outro tipo de câncer que acomete os homens é o Câncer de Testículo. Segundo dados do INCA, esse tumor atinge 5% do total de casos de câncer entre os homens. Ainda segundo dados mais recentes do INCA, em 2018 foram 395 mortes em decorrência dessa doença.


Assim como a grande maioria dos cânceres, esse pode ser facilmente curado quando detectado precocemente. No entanto é preciso ter cuidado, pois esse tumor pode ser confundido com orquiepididimites, que são inflamações nos testículos e nos epidídimos, canais localizados atrás dos testículos e que coletam e carregam o esperma.


Os sintomas mais comuns são o aparecimento de nódulos duros, geralmente indolor e do tamanho de uma ervilha. No entanto, é possível que outras alterações surjam como: aumento ou diminuição dos testículos, endurecimento, dores, sangue na urina e/ou sensibilidade e aumento dos mamilos.


A cirurgia é sempre o tratamento mais adequado para esse tipo de câncer, porém, se o nódulo ainda for pequeno pode fazer uma biópsia e, em caso positivo para o câncer, o testículo e extraído em partes ou totalmente.


Posteriormente, a radioterapia, a quimioterapia e o acompanhamento clínico são os próximos passos para controlar a disseminação da doença para outros órgãos.


Câncer x Covid-19

Pessoas com câncer que estejam em tratamentos de quimioterapia, radioterapia, que tenham feito cirurgia há menos de um mês ou que façam uso de medicamentos imunossupressores fazem parte do grupo de risco. Da mesma forma, as pessoas com idade acima de 60 anos e aquelas com doenças crônicas, como diabetes, doenças cardiovasculares e respiratórias, e com imunidade baixa, possuem um risco maior de terem complicações graves se forem contaminadas pelo coronavírus. O paciente com câncer não deve, em nenhuma hipótese, parar seu tratamento por conta própria, seja quimioterapia, radioterapia ou uma cirurgia. Toda decisão quanto ao tratamento deve ser feita junto com a equipe médica. Em algumas situações, consultas e exames poderão ser adiados e remarcados, lembrando que todos os protocolos de prevenção à Covid-19 recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) devem ser seguidos e praticados.


Conheça outros tipos de cânceres

No Brasil, o câncer de intestino (cólon e reto) também é uma enfermidade comum entre os homens com 20.520 novos casos/ano (INCA 2020) e 9.608 mortes registradas em 2018, segundo Atlas de Mortalidade por Câncer – SIM. Seus riscos principais estão relacionados ao excesso de peso, alimentação não saudável e idade igual ou acima de 50. Já o câncer de pulmão também merece atenção, tendo atingido em 2020, a marca de 17.760 novos casos/ano com índice de mortalidade equivalente à 16.371 pessoas (SIM, 2018). O tabagismo é a sua principal causa, mas também a exposição à poluição do ar, infecções pulmonares de repetição, deficiência ou excesso de vitamina A e fatores genéticos.


O câncer de estômago também é chamado de câncer gástrico. O tipo adenocarcinoma é responsável por cerca de 95% dos casos de tumor do estômago e suas principais causas estão associadas ao excesso de peso e obesidade, consumo de álcool, alimentos com excesso de sal e o tabagismo. O câncer da boca (também conhecido como câncer de lábio e cavidade oral) é um tumor maligno que afeta lábios, estruturas da boca, como gengivas, bochechas, céu da boca, língua (principalmente as bordas) e a região embaixo da língua. É mais comum em homens acima dos 40 anos, sendo o quarto tumor mais frequente no sexo masculino na região Sudeste. A maioria dos casos é diagnosticada em estágios avançados. Seus fatores de risco estão associados ao tabagismo, alcoolismo, exposição ao sol sem proteção solar e excesso de gordura corporal. No Brasil, o câncer de esôfago (tubo que liga a garganta ao estômago) mais frequente é o carcinoma epidermoide escamoso, responsável por 96% dos casos. Outro tipo, o adenocarcinoma, vem aumentando significativamente. É o oitavo mais frequente no mundo e a incidência em homens é cerca de duas vezes maior do que em mulheres.


No Brasil, o câncer de esôfago (tubo que liga a garganta ao estômago) mais frequente é o carcinoma epidermoide escamoso, responsável por 96% dos casos. É o oitavo mais frequente no mundo e a incidência em homens é cerca de duas vezes maior do que em mulheres. As causas estão ligadas ao consumo de bebidas muito quentes (café, chá ou chimarrão), álcool, carnes processadas e também à obesidade. O câncer de bexiga é uma das neoplasias mais comuns do trato urinário e atinge as células que cobrem o órgão e é classificado de acordo com a célula que sofreu alteração apresentando-se três tipos distintos: carcinoma de células de transição, Carcinoma de células escamosas e Adenocarcinoma. Os fatores de risco incidem, principalmente, sobre homens brancos e de idade avançada, mas também estão ligados ao tabagismo e à exposição à compostos químicos geralmente usados pelos trabalhadores da agricultura, construção, cabeleireiros, entre outros.


O câncer de laringe ocorre predominantemente em homens acima de 40 anos e é um dos mais comuns entre os que atingem a região da cabeça e pescoço. Representa cerca de 25% dos tumores malignos que acometem essa área e 2% de todas as doenças malignas. Suas causas dizem respeito ao tabagismo e consumo de álcool, estresse e mau uso da voz e obesidade. A leucemia é uma doença maligna dos glóbulos brancos, geralmente, de origem desconhecida. Tem como principal característica o acúmulo de células doentes na medula óssea, que substituem as células sanguíneas normais. Existem mais de 12 tipos de leucemia, sendo que os quatro primários são leucemia mieloide aguda (LMA), leucemia mieloide crônica (LMC), leucemia linfocítica aguda (LLA) e leucemia linfocítica crônica (CLL). Os fatores de risco comumente associados são a exposição à radiação ionizante e ao benzeno, o tabagismo e até algumas classes de medicamentos utilizados na quimioterapia.


O câncer do Sistema Nervoso Central (SNC) representa de 1,4 a 1,8% de todos tumores malignos no mundo. Cerca de 88% dos tumores de SNC são no cérebro. Os tumores do SNC devem-se ao crescimento de células anormais nos tecidos dessas localizações. Entende-se atualmente que essa doença é multifatorial, ou seja, ela é causada pelo somatório de várias alterações genéticas. Fatores que aumentam o risco são a exposição à radiação ionizante, deficiências do sistema imunológico, entre outros.